Por um mundo mais diferente (e menos igual)
Apenas pelo respeito à diferença é possível alcançar algo que possa ser tratado como uma igualdade positiva. Estamos sempre querendo e desejando um mundo mais igual, quantos discursos clamam por essa igualdade! Conclamemos um mundo mais diferente, um mundo em que permitimos ao outro todo a sua liberdade de ser. Quase sempre quando falamos em igualdade, quando desejamos um mundo mais igual, o que queremos, em verdade, é um mundo mais igual a nós mesmos. Um mundo mais justo é um mundo que se assemelha ao nosso ego, é um mundo idealmente construído para si. Para tornar o mundo mais igual criamos um monte de falsas moralidades, que facilmente se transformam no que há de mais destruidor da diferença: a cobrança. Estamos sempre dizendo ao outro “por que está fazendo isso?”, “você não devia”, “você não se importa”, “você não pode”, “não vai fazer isto?”, “devia fazer aquilo”. Cobramos do outro até mesmo aquilo que deve pensar ou sentir. Não há limites para o nosso ego, especialmente para com aqueles que mais acreditamos amar. São estes os maiores alvos de nossa cobrança. Isto porque ainda não aprendemos a dar. Quando se dá algo a alguém, há que se dar inteiro. Dar inteiro é não criar uma dívida para o outro, é dar sem absoluta cobrança. Se dou um livro a um amigo e minutos depois o vejo dar este mesmo livro que recebeu de mim a outra pessoa, isto me ofende? Se ofende é porque ainda não aprendi a dar inteiro. Espero que meu amigo demonstre ter gostado do presente que lhe dei, espero que seja grato, que leia o livro em consideração a mim, que goste de mim e que me retribua o presente com outros agrados. Querer determinar o outro não é amar o outro, é amar a si mesmo. É querer ver no outro o seu próprio espelho e, vendo a si mesmo, acreditar amar o outro, porque, afinal, é preciso acreditar ainda que somos altruístas. Só é possível que este amor seja dedicado ao outro quando lhe permitimos toda a potencialidade de seu ser, quando queremos vê-lo livre para poder admirar o que esse outro é quando é ele próprio, e não nós mesmos. Não é possível amar com cobranças, porque as cobranças constrangem o ser do outro, e se o outro deixa de ser igual a si mesmo para ser aquilo que queremos e esperamos que seja, então estamos amando apenas a nós mesmos, aquilo que queremos ver no outro e não o outro em si. Esse amor é triste, porque isto não é saber dar amor, é cobrar amor, é querer ser amado, desejo fácil de pessoas egoístas e com baixa auto-estima. Abrir-se para o que o outro é, permitir que venha à tona a potencialidade de seu ser, sem constranger-lhe, é amar de verdade, é saber dar amor, e é dar inteiro. Isto é respeito à diferença, e talvez mais do que respeito, é admirar e amar a diferença, é soltar os espelhos para ser capaz de ver a vastidão de beleza que há no mundo. É não querer manter vínculos por obrigação, e cultivar os vínculos voluntários. Que a gratidão seja ofertada como uma nova doação, e não como uma retribuição, não como um pagamento de dívida, mas como uma nova demonstração de amor, não por obrigação, mas somente e apenas quando o coração disser “obrigado”. Dar só é possível quando se dá inteiro. Saber dar é amar, é manter livre o seu próprio coração, sem apegos, sem demandas, sem egocentrismos. Saber amar é, acima de tudo, querer ver a completa e esplendorosa realização do outro.




Viktor 0:47 em 15/07/2011 Permalink
minha morada
minha na morada
Alessandra 20:02 em 12/09/2011 Permalink
Carol, estava limpando meus e-mails e vi o seu com o link do blog. Que bom saber que continuas blogueira. E ainda poeta. Muito orgulhosa da minha amiga. Não vejo a hora de ter minha casinha tb. Mil bjos e saudades
brita 0:41 em 24/11/2011 Permalink
Alezita,
Tou uma blogueira pouco assídua, infelizmente. Dá pra notar pelo atraso na resposta, ne? E poeta eu nunca fui, quem dera!
Ter nosso cantinho é tudo de bom. É um espaço que nos acolhe, independentemente do nosso humor. Um lugar onde o coração fica mais leve, a mente fica mais leve, e até meu corpo aqui tem uma energia especial. Estou só no começo, Alezinha, mas sei que esse é um momento crucial de cultivo. Que nasçam as flores e os frutos no futuro. Me conte as novidades desse seu projeto, fico aqui na torcida pra que ele se realize logo. beijocas muitas procê.